domingo, 15 de março de 2009
É de lágrima
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Tempo
Amigo de luzes, concedeu palhinha sobre tema tratado numa mesa de bar certo tempo atrás. Não sei quanto e sinceramente, nem eu, nem ele, se importa com isso.
Nada mais do que impressões. O tempo não é nada mais do que isso: impressões de sensações de sentimentos. Não falo do tempo do relógio. Do tempo mecânico, estático, linear. Falo do tempo real. Do tempo natural. Não olhe para o lado. Não olhe para fora. Saberá do que estou falando. Pobre daquele que vive em função de um tempo que não é seu. Não há nem mesmo piedade para este. A piedade vem do reconhecimento e o reconhecimento vem do sentimento de humanidade. Por isso, não vejo mais humanidade naqueles que perderam a capacidade de sentir. Por isso, duvido da humanidade daqueles que perderam a referência de seu próprio tempo. Deles, não tenho, não posso mais ter, piedade. Qualquer piedade. Qualquer caridade. No rosto destas pessoas sem coração, dominadas por sua própria criação, dominadas pelo tempo, seu próprio tempo, que as massacra e domina, não vejo nada mais que o vazio da angustia. Vazio da solidão. Aliás, não há tempo algum no estar só. Ter tempo, haver tempo, passar o tempo, pressupõe sempre um estar junto. Estar acompanhado. Senão não haverá tempo e sim o mais imenso abismo de pensamento. Nunca ouvi falar de pensamentos que sobrevivam, sintam, respirem, passem tempo. O pensamento é e sempre será atemporal, solitário. Por isso o penso, aquele mesmo penso que se diz existente, é na verdade um algo que não existe. Um não algo, que não está nem nunca estará no tempo. O tempo do vivente que vive, o tempo do sentimento, é bem outro. Este é o tempo da intensidade, é o tempo da condensação de vários, infinitos, acontecimentos e significados juntos. Um filósofo que viveu muito pouco tempo disse um dia que o verdadeiro tempo da vida não é linear. Disse que, na verdade, ele anda em saltos que passam por momentos cheios de significado, cheios de sentimento e verdade. Por isso alguém, não me bem lembro quem, disse que durante a revolução francesa toda a história do mundo foi condensada em poucos momentos. Momentos cheios de significado. Esta é a verdade do tempo, o verdadeiro tempo.
Lucas Catib De Laurentiis
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
on demand
Rita Maria não gosta de madeira. Madeira é coisa que demanda. Assim, inexplicavelmente, vai no de deixar de lado o que é de desgosto da vida e segue o rumo no que merece ter rumo, aproveitado o bom de todas as coisas. Rita Maria é daquelas que tem o simples na lida. Não se encasqueta de ser hype, cool, de ler Bravo, comer temaki, ir na mostra, seja o que se tiver sendo mostrado. Não tem de fricotes, não se apoquenta com questiúnculas de quanto tempo se demora para chegar no restaurante sensação da semana, ou quantos meses de antecedência se tem de reservá-lo. Não liga em não ter Bistrô na sua cidade, ou Cinemark. Rita Maria nunca deve ter ido ao cinema ou comido escargot, o que pode parecer um absurdo, um despropósito sem graça de se ter como vida, ou em se não ter nela. Rita Maria nunca demorou 45 minutos para reclamar com o atendente daquela operadora sobre a conta que foi para o lugar errado, perdeu-se toda, e agora o Serasa está a mandar notificações, extra, intra, sub judiciais. Nunca na vida falou com um advogado, precisou de um advogado, nem sabe do ruim que advogado é. Não teve de pegar uma lotação e compartilhar essa experiência como mais 68 pessoas num dia de chuva, todos cara de bolor e guarda-chuvas em punhos para espetar o primeiro espertinho que se dignar a cruzar o olhar. Nunca se prestou de correr por uma avenida emparedada por carros, achando fazer bem a saúde. Maria Rita não sabe o que significa, nem nunca ouviu de um amigo a palavra stress. Enquanto os urbanóides que somos agradecemos o Starbucks de cada dia, entre dentes e de cara amarrada, Rita Maria acha graça da madeira que segura tua casa beira-mar numa cidade escondida do Ceará, num azul sem fim de todos os tons de grudar a palavra paradisíaco no lóbulo frontal. O pior é que se fosse você, ou eu, ralharíamos pela madeira, pela falta de café latte, por não ter nenhum sushizinho na redondeza, pela maresia, a areia, o sol. Acho que fomos demandados demais. Acho que demandamos muito.
São Paulo IV
Um centro de choro cantado, a te inundar de felicidade, entre um gole de frango e um pedaço de cerveja, de frente para a bolsa, rodeado de Jorges nem todos santos. E eles chamam isso de sábado à tarde.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
A última noite de um homem
baseado em uma história real
Marco Antônio é trabalhador. Passa das suas 24 horas, 10 no trânsito e 18 no escritório, façanha que só trabalhadores latino-americanos e uma ou outra propaganda de banco conseguem. Careca sem nunca ter tido genética que lhe fardasse a falta, arcado pelos ombros pesados de uma inércia que parece aumentada cada vez que Maria Eulália, da contabilidade bloco "c", às 15:25 de todo dia, resolve trancar o ar condicionado a agradáveis 25ºC. Chegado da provação automotiva, gravata dependurada pelo sedoso do desespero, Marco Antônio se enfia no seu loft (maneira bacana de vender alguma coisa que não tem espaço para ter nem quarto, nem sala, nem nada e que chamar de apartamento é, até mesmo para as empreiteiras, sacanagem demais, já que uma palavra enorme para simbolizar coisa desse tamanho).
Chave no chaveiro, paletó no cabideiro, sapatos no sapateiro e Marco Antônio se aboleta por alguns minutos de frente à televisão, para o ver de outras desgraças que não as próprias, retumbantes em voz grave de 19 horas. Ouvida a voz do Brasil, vai preparar seu jantar, esquentando alguma coisa que sobrou da última vez que teve forças para de fato cozinhar, e não se valer de sobras, enlatados, encaixotados ou outro placebo culinário.
Quando já tudo na sua devida panela, todas no fogão, Marco Antônio faz a decisão que mudou sua noite, não, sua vida. Encasqueta de lavar as mãos pela 35ª vez na pia do banheiro ao invés de se valer do detergente neutro mesmo. Seria transgressão demais para este cidadão pagador de seus impostos, amante de planilhas e avesso a qualquer ato de rebeldia ou enfrentamento que ultrapasse o dormir sem meias, o mandar às favas essa imposição moderna de se ter de usar cada coisa com um específico e único propósito, como se o mundo fosse confeccionado para cada detalhe e suposta necessidade, de sabonete adstringente hidratante de rosto tipo semi-oleoso a bucha para copos fundos de bordas finas exclusivos para cerveja pilsen que não européia.
Foi ao banheiro, pegou o sabonete para mãos secas quando, olhando entre o porta-revistas e a lixeira para banheiro tamanho pequeno de tampa basculante, viu algo que não devia estar ali. Sem querer acreditar muito, Marco Antônio chega um pouco mais perto do que devia do algo estranho ao seu banheiro branco ascético e com os olhos fixos por todos aqueles segundos tem a comprovação que não queria ter tido, quando a coisa mexe das suas anteninhas. Era uma barata. Marco Antônio não gosta de baratas, Marco Antônio tem asco, repúdio, medo mesmo, de baratas. No mexer perto demais daquelas malditas e irritantemente finas e compridas antenas, Marco Antônio faz pular o sabonete para mãos ressecadas pelo ar de seu banheiro conjugado a quarto e sala e o revolucionário do utensílio higiênico, subvertendo sua única finalidade, acaba a se valer para pôr Marco Antônio ao chão, ainda mais perto do que devia da barata.
Barata e Marco Antônio ambos descontrolados se debatem no meio metro quadrado de banheiro, tentando se recuperarem do susto de terem um mamífero e um invertebrado, cada um, dividindo o ladrilho.
Passados poucos segundos de terror, Marco Antônio conseguiu reaver os movimentos das pernas, e se pôs logo de pé, procurando por onde tinha ido a infeliz da barata, para tentar ficar o mais longe possível. Nada. Era a brecha para recuar até campo mais seguro e achar qualquer coisa que pudesse ser atirada de longe contra o inimigo. Como posso com isso, se até bomba nuclear não mata, pensou Marco Antônio, quando procurava pelo sapato mais pesado que tinha. De botina para dias de campo e clima enlameado em punho, foi o infeliz a procura do desafortunado do inseto. Logo na mini sala, entre mesa e sofá, estava lá, olhando destemida, toda antenas, quando em um instinto primitivo de milhares e milhares de anos de ataque e proteção contra os infortúnios da natureza, Marco Antônio deixou de lado o asco, o nojo, o medo mesmo, e se foi para o confronto direto. Nem barata nem Marco Antônio desviaram sua rota, inexplicavelmente. Barata anda cada vez mais descarada nesses dias, é essa impunidade toda, ralhou o primata. Deu todas as botinadas que pôde dar, no caso duas lançadas à distância e a barata sobreviveu a todas, o que não se pode dizer do seu vaso de cristal húngaro para dias festivos e finos e dos porta-cds empilhados no único espaço livre entre mini system e hack para televisão. Voaram trilhões de minúsculos caquinhos por toda a sala, o que não é difícil, mas ainda assim irrita, misturando-se na balburdia das centenas de CDs espalhados pelo chão, acabando com horas de organização alfabética e zelo no trato da superfície argenta-espelhada dos redondinhos queridos. Se a carcaça deixasse, Marco Antônio veria a barata se rolando de rir do episódio e da vantagem estratégica da criação de inúmeras trincheiras de plástico, com o benefícios de um campo minado de mil cacos a intimidar o inimigo. Se limitou só a rir e a se esconder, deixando o civilizado do morador emputecido o suficiente para destituí-lo de qualquer senso de limite, razão ou adequação. Já nas tampas, olhando para todos os cacos, todas as capas, CDs e barata, de novo, sumida, Marco Antônio perde o contato que tinha com a normalidade dos homens e faz de seu fim o fim da barata. Munido de martelo para pregos anelados 19x36 passou a marretar toda a sala/quarto, já sem nenhum carinho por CD que fosse, nem mesmo pela coleção de pequenos animaizinhos de porcelana dispostos na terceira prateleira de cima para baixo, pelo carpete de madeira imitação imbuia, por nada. Tudo era uma imensa barata, a ser aniquilada. Foram muitas, foram várias as marretadas, e a única coisa que Marco Antônio conseguiu foi a completa destruição de todos os badulaques acumulados pelos anos e a ira dos vizinhos, que já ligavam para a polícia, para o Juqueri, para o que viesse primeiro e mais armado.
Os bombeiros chegaram 15 minutos depois de Marco Antônio ser levado sedado para o Hospital Psiquiátrico de Franco da Rocha, após ter levado abaixo três enfermeiros, duas vizinhas encheridas e o poodle do flat 32 B. Tiveram um pouco de dificuldade para acalmar as chamas propiciadas por uma quantidade nunca vista de inseticida e fluído de isqueiro, último ato livre que Marco Antônio teve em vida, hoje bem instalado num 2x2 acolchoadamente aconchegante, de vizinhança tranqüila.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Essa mancha nenhum tira
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Lembrete
No mais, tudo é menor
Amor não é de tarde, a não ser em alguns dias santos. Só é legítimo quando, depois, se pega no sono. E há um complemento venturoso, do qual alguns se descuidam. O café com leite, de manhã. O lento café com leite dos amantes. No mais, tudo é menor. O socialismo, a astrofísica, a especulação imobiliária, a ioga, todo ascetismo da ioga... O homem só tem duas missões importantes: amar e escrever à máquina. Escrever com dois dedos e amar com a vida inteira.
Antonio Maria, 1963.
sábado, 22 de novembro de 2008
Ah, a Modernidade
Estava na de andar sem juízo, desavisado, sem qualquer respeito pelas regras do bom caminhar, nada de direção, norte, compasso, com um ar que irritava qualquer um de bons-costumes, como se fosse dono de suas pernas, veja você, o despautério, quando se deu.
Se você perguntasse à maioria, teve o que merecia, nessas de andar assim...
Enfiou-se num buraco enorme, escondido dos homens de bem, numa fresta do que é reto. Caiu uma eternidade e meia numa escuridão sem ar, calor ou seja qual sensação fosse; o amortecer. Nem assim gritou, esperneou, caiu só.
Não caia no espaço, mas no tempo, ou pelo menos não neste sideral. O universo todo para o lado de lá daquele negrume sem fim a trilhar o curso; morriam, riam (alguns poucos), amaldiçoavam a chuva, as espinhas, trocavam de carro, de marido, faziam juras de amor, choravam o amor, combinavam cafés. E ele caia.
Foram 100.052 anos dos homens, suficientes para se perder o andar, o gosto do café ou do amor e até mesmo o que ele sabia por homem. Apagou-se da vida de quem fosse, um fantasma encarnado de gente sem nem saber dos costumes que pudesse desdenhar.
Um pouco sem jeito, num passo esquisito agora do atrofiado mais do que do descaso a regra, o primeiro lugar que tentou encontrar foi algum em que se encontrasse, aquele mundo distante de mil séculos atrás que tão incompreendia, mas que tinha de cor. Sabia bem daqueles olhares feios, o balançar rápido, pouco, mas sempre lá, da cabeça, os comentários abafados, os medos todos de quem ousava e dos que temiam até isso. Mas como culpá-los se todos imersos numa angústia enorme de agarrar os segundos saltitantes pelo pescoço, cheios de planos cortados a laser, mas cada um completa e angustiantemente perdido, confundindo necessidade com superficialidade, obstinação com neurose.
Agora era ele que se via perdido em qualquer senda do infinito, essa ou aquela realidade paralela, perpendicular ou espiralada, sem achar partícula que lhe fosse conhecida.
Em um misto de sonho do Dr. Seuss e a mais fabulosa mente hollywoodiana de ficção científica sem cortes de orçamento ou crise a limitar a criatividade, as pessoas que se iam para lá e cá pareciam como que iluminadas. Alguma aura de plenitude circundava a todos, que se riam por besteiras (todos eles), que tinham muito bem certo o que de fato significava besteira. Nada disso tinha a ver com o absurdo tecnológico ou qualquer outro candidato a bálsamo da humanidade, o estandarte mal ajambrado do progresso, quem sabe até de ordem, mas com o achar da essencialidade, do visceral. Em algum ponto distante do desencontro ancestral o caos veio de frente e ninguém mais conseguia falar bom dia sem que um milhão de interpretações fossem feitas, ponderações sopesadas, implicações projetadas, medidas e densificadas e só sobrasse tempo para um boa noite. Os arqueólogos buscam apresentar suas teorias, juntando pedaços de CDs antigos e pendrives recuperados, e de cada byte montam histórias colossais. Não se sabe mais por que, nem como, mas o fato é que de alguma forma conseguiram se desembaraçar daquele nó tão vivamente cultuado pelos que se diziam "modernos".
Recuperado do baque e das pernas, sassaricou por toda viela, biboca e quebrada, parando cada um que tivesse a sorte de cruzar os olhos com ele. Ninguém conseguiu explicar muito bem o que lhe tinha acontecido, nem o que aconteceu com os agora fósseis. Ninguém também mostrou muita lá preocupação com o causo, ou mesmo com os porquês. Para que se esquentar com isso, ouviu tantas vezes, se o que só é preciso é se permitir viver. Se permitir viver, sem os diz-que-me-dizem tanto, as fobias, encruzilhadas, retornos, atalhos, sem cobrança de prazos, metas, objetivos, como se a angústia do mundo tivesse sido geneticamente retirada de cada DNA de qualquer algo vivo, tendo bem a diferença sem fim entre responsabilidade e cruz. Enquanto ele recuperava o passo e se partia nesse mundo sem o rumo fincado a estaca, numa leveza de não sofrer para o onde, como e quando, marcados no script e distribuídos em cinco vias registradas, na liberdade de se deixar surpreender, seus companheiros de trabalho já organizavam reuniões periódicas, para se eleger o representante do grupo de buscas. Estavam na 25ª reunião, mas ainda tinham muito pela frente. Temas como a marca e intensidade do pó do café servido e se rodariam o ônus de oferecer a casa em sentindo alfabético ou zonal ainda não tinham sido enfrentados. Todos estavam ansiosos, na angústia de preverem que em 30 ou 40 reuniões a mais, teriam de contatar os familiares, e um subgrupo já estava se formando para determinar se seria a mãe, ou o irmão o primeiro a ser avisado.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
São Paulo III
De frente para um posto de gasolina, numa travessa tímida da Av. Sumaré, entre um prédio entediado e uma churrascaria/pizzaria/bar-dançante/karaokê de sextas e sábados, tem uma casa que de quartas-feiras a noite se ilumina de sala amarela alaranjada. De dama-da-noite vestido primavera, cerca de muro (baixo) e palmas abertas, se põe como velha sem se acabar, orgulhosa das rugas, de jardim a esbofetear a cara, ainda que com toda madura gentileza, deste caipira morador de apartamento que só faz imaginar como este pedacinho de cidade distante veio se encaixotar nesta cidade de tantos pedacinhos...
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
3 séculos a mais
Tem desses dias que nos perdemos nas pernas. As pernas que te faz, sem ver, olhar para a torre de muito amiga, num devagar sem arrastamento, um prolongar. Pode-se culpar de tudo. A bolsa, o Kassab, o mar de prazos, folhas e batidas frenéticas de teclado, pode-se culpar aquela palavra ou esse silêncio, culpa sempre se arranja, a pesar os joelhos. Não me ative nela, fui segurado pelo aperto. Esse sabe-que-lá já velho e muito conhecido. Um inconfundível nó nalgum lugar entre a tireóide e a traquéia. Esse miolo de pão que não desce seja quanta água for. O tema era o surrado desagrado do sozinho. A saudade do cheiro que não circunda mais, assombra. A pele, aquela pele. A ausência do ser cúmplice. Do ouvir o desembestar de qualquer história, a risada, o respiro, os pequenos barulhos. Era para pegar o ônibus, mas de aperto bastava o meu. Foram-se as pernas para o calor, sem dar a menor para os sapatos sola fina, o terno tecido grosso, convenções de medida da distância.
No randômico das mil músicas, a angústia durou 3, talvez 4. Eu já no automático da cena esperava pelo choro que não veio. Perdido e sem script até forcei uma, mas nada de nem furtiva lágrima. Me peguei gostando da batida pernambucana do Lenine, do ar da chuva que nunca mais desconjuro depois da secura impregnada nas narinas por 30 dias de cerrado. Já pelas pernas da Avenida, olhando o infinito dos tantos carros, a pergunta não era mais do que não tinha, mas de que filme a segunda-feira da 2001 me tinha deixado. Me vi no gostoso de Zelig de Woody Allen, da pipoca gorda nada de light e muita manteiga, no abençoar da chuva que veio na hora certa, na hora que quis.
Descobri nessa noite que o Word publica, a blockbuster nem pipoca tem mais, o x-salada com ovo vale uma dezena de reais e trinta minutos de esteira. Claro que o perfume é bom e falta pelo ar. Não perdi o querer. Perdi é o atropelo desesperado, como se tivesse lavado das mãos o encardido com a última gota d'água que me foi agraciada. Acho que perdi o ultra e estacionei no só romântico. Só é bom também, é bom também.